Hoje estava mais uma vez lendo sobre uma figura fantástica que decobri dia desses, aliás, descobri quando tinha uns 12 anos assistindo "Cinema em Casa". É sim, lembram do Beetlejuice???
Os fantasmas se divertem era (e deve ser até hoje) figurinha carimbada nas tardes do SBT. Mesmo sem ter a menor idéia na época de quem poderia ser Tim Burton, sempre adorei o clima "trash" e nonsense do filme, especialmente a atuação de Michael Keaton como Besourosuco. Na trama, um casal sofre um acidente de carro e viram "fantasmas" em sua própria casa. Quando um casal rico (e chato) compra a casa, eles decidem expulsá-los, e quando fracassam pedem a ajuda de Besourosuco, um fantasma mais "experiente". Também gostava bastante da Christina Ricci como filha do casal chato, embora na época ela ainda fosse a eterna "Wandinha" da família Adams (algum dia deixou de ser?). Mas o que realmente me marcou a respeito desse filme foram as músicas Day O e Jump In The Line, ambas tocadas nas duas melhores cenas do filme(essa e essa). Essas músicas permaneceram por muito tempo na minha memória, até que "crescida" e conectada, fiz download destas e algumas outras músicas interpretadas por um certo senhor Harry Belafonte. Depois de muito tempo, voltando a ouvir as velhas músicas, tive curiosidade em saber quem era afinal de contas esse tal de Harry Belafonte. Bem, Harry Belafonte é um americano de ascendência jamaicana, crescido na Jamaica e de volta aos Estados Unidos, cantor, ator e ativista político, primeiro negro a receber um Emmy, responsável por ajudar Miriam Makeba quando esta tornou-se apátrida por testemunhar na ONU contra o apartheid... Enfim, eu lia e não parava de me surpreender. Mas acho que o vídeo abaixo, postado ha dois anos no Daily Motion é um bom resumo sobre quem é Harry Belafonte, do alto de seus 80 anos tão eloquentemente dizendo que George Bush é só mais um assassino. Peço desculpas aos que não entendem o inglês, não encontrei o vídeo traduzido mas prometo me dedicar a fazer isso nos próximos dias.
Todo mundo deve conhecer a música "Why Can´t We Be Friends", sucesso com a banda Smash Mouth em 1998, na verdade uma versão da gravação original da banda War. Eis um trecho da letra:
(...) Why can´t we be friends? I bring my money to the welfare line. I see you standing in it every time (...) The color of your skin don't matter to me, as long as we can live in harmony.
Que, na minha tradução amadora, fica:
(...)Porque não podemos ser amigos? Eu venho pagar minhas contas na previdência social. Eu te vejo na fila todas as vezes. (...) A cor da sua pele não importa pra mim, contanto que possamos viver em harmonia.
Basicamente a música fala sobre estranhos convivendo diariamente, indo aos mesmos lugares, ouvindo conversas um dos outros sem jamais fazer contato algum, e propõe: porque então não podemos ser amigos? Quando prestei atenção nesta letra pela primeira vez fiquei realmente pensando: quem de nós não tem um estranho que participa diariamente de nossas vidas? Aquele cara que está sempre almoçando no mesmo horário, indo à mesma agência bancária, falando ao celular na rodoviária... Certas vezes eu chego a decorar os tiques e manias de algumas pessoas, de tanto observá-las ocasionalmente. Mas confesso: nunca pensei em puxar papo com essas pessoas, que dirá ser amiga. Não tenho tempo! Ja nem dou conta dos amigos que tenho, não tenho paciência pra ouvir os problemas de um estranho nesses 40 minutos que fico na fila! Opa, 40 minutos? O que as vezes nos passa despercebido é que, nos livrar do estranhamento e demonstrar um comportamento amigável com as centenas de estranhos com os quais andamos lado a lado todos os dias não necessariamente constitui um compromisso. Ora, ninguém precisa ser padrinho de casamento da moça-de-casaco-verde-que-pede-coca-light-com-x-burguer-todas-as-vezes, mas ja que vocês dois sentam próximos - e sozinhos - todos os dias na lanchonete, o que custa ser gentil, educado, humano? Obviamente nós temos dias bons e ruins, mas o aperto da cidade grande definitivamente não combina com o excesso de reserva emocional que desenvolvemos. Em certas situações, chega a ser ridículo. E vai tornando-se numa doença; há pessoas que se sentem incrivelmente desconfortáveis se alguém sem querer toca o cotovelo delas no supermercado. Afinal, o que justificaria essa súbita invasão do espaço físico de outro indivíduo?!? Digo isso tudo, repito, porque sou assim - não suporto quando um senhor idoso puxa conversa na fila do banco, detesto que peçam pra sentar na mesma mesa num fast food lotado, tenho horror a qualquer pergunta feita por um estranho - mesmo que ele só pergunte as horas eu costumo ser acometida de um pânico momentâneo. Ou melhor, costumava. Dentre os meus costumes estranhos também estava ficar colocando defeitos em pessoas que eu acabava de conhecer/ser apresentada. Especialmente aquelas novas na minha "rodinha de amigos". Essa garota é muito falante/muito quieta/muito esquisita/tem um olho torto/ fala "tipo" toda hora/ri demais/é fanha/etc, etc, etc... Pode parecer uma coisa inocentes as vezes, e é muito fácil fazer isso com quem é novo no pedaço, mas pense, será que você passa a melhor das impressões pra quem te conhece da primeira vez? Será que você nunca foi "o cara irritante que pede sem açúcar com duas rodelas de limão todos os dias"? Obviamente que o famoso stress nos torna mais irritadiços que o normal, e esse "apertamento" é o principal responsável por isso. Quantas vezes você não teve vontade de gritar com a mãe que estava na sua frente na fila do supermercado, que demorou uma eternidade pra passar meia dúzia de coisas no caixa pra poder gritar com o filho pequeno, aquele pivete, conseguindo assim aumentar ainda mais a sua dor de cabeça? Afinal de contas, você só queria levar duas caixinhas de leite e aquela mulher insuportável, com aquela voz irritante, essa inconsequente que resolveu ter filhos resolveu ficar no seu caminho, justo hoje meu Deus que você tomou um esporro desnecessário e injusto do seu chefe no trabalho. Você só quer chegar em casa depois de um dia exaustivo, e xinga mentalmente aquela que poderia ser sua irmã, amiga, esposa, você no futuro. As 18:30 todos sem exceção só querem chegar em casa depois de um dia exaustivo, todos na fila do estacionamento, no supermercado, no ônibus... Foda-se o politicamente correto, certo? Bem, eu, estudante de história, autora de discursos pacifistas em mesas de bar e conversas intelectualmente superiores, estranhamente, estranhamente pensava assim, agia assim. Ainda o faço por reflexo. Podem desdenhar da premissa hippie o quanto quiserem, mas enquanto não aprendermos a tratar com respeito e amor a todos, nos dias bons e ruins, somos mesmo uns bostas. E pra exemplificar o que digo, eis aqui três vídeos que chegaram a mim nos últimos dias, três encantadores e emocionantes vídeos que pra mim podem ser resumidos numa só frase: why can´t we be friends?
E eu com uma gripe danada acho que vou passar a tarde googleando vírus parecidos com a gripe, mas que na verdade não são gripe e podem ser fatais. Não custa saber, né?
Quanto baste de funcionários folgados; 1 sindicato assistencialista e corrupto; 1 saco de processos trabalhistas; 1 punhado de leis protecionistas; 1 patrão altruísta;
Modo de preparo:
Pegue um bom tanto de funcionários folgados que sabem tudo sobre seus direitos e nenhum pouco sobre seus deveres e coloque em uma sede. Acrescente um patrão altruísta que acredita no crescimento de todas aquelas pessoas juntamente com o seu, ou até mesmo em alguns momentos mais que o seu. A empresa está formada, dê tempo para que ela cresça. Passado algum tempo, será indispensável a adesão do sindicato, que por sua vez irá reagir com os funcionários, mas não reagirá muito bem com o patrão, certamente vai haver uma união muito grande entre funcionários e sindicato e o patrão ficará no fundo. Em seguida, junte algumas leis protecionistas à mistura, o sindicato terá uma aderência muito grande a esse novo ingrediente e vai tornar mais fácil a ligação dele com os funcionários. O resultado da reação da mistura criará um ambiente perfeito para a adição dos processos trabalhistas, porém cuidado com a quantidade a ser adicionada pois em geral há formação espontânea destes só pela mistura dos ingredientes anteriores. Passado mais algum tempo o patrão que estava lá no fundo de tudo isso sofre uma reação muito forte se torna um grande filha da puta. Como resultado o patrão vai iniciar reações violentas e exploratórias com os funcionários, o sindicato pode ameaçar uma interrupção do processo mas o patrão vai agregar valor ao sindicato que vai deixar de reagir e fazer vistas grossas as sacanagens do patrão. Aos funcionários restará adotar uma postura ácida e generalista acreditando que patrões nasceram filhas da puta e que são todos iguais. Leve ao forno de saboreie com moderação.
Dia desses, um cachorrinho de rua foi, literalmente, arremessado pra dentro da minha casa. Cuidamos dele tanto quanto foi possível, mas infelizmente ele faleceu semana passada. Ainda assim, sua passagem por lá me despertou pra uma série de questões sobre as quais eu não ligava, ou tentava não refletir. Então cachorrinho, esse post é em sua homenagem.
- Dr. Fernando? É a Thati. - Oi Thati, bom dia! - Tudo bem com o senhor? - Tudo, sim. E aí, já foi no show?!? - Da Madonna? Ah não, é só em Dezembro... - Ahh... - Vai demorar um pouquinho ainda né. - É. - Então, preciso marcar um horário com o senhor. - Ah sim. A gente começou aquele canal, terminou... E obturamos? - Não, não, o senhor só colocou um curativo. - Ah é né, vc marcou duas vezes e não veio. - É. Dei os canos no senhor e depois fiquei com vergonha de ligar. - Ficou com vergonha? - Fiquei. - E agora, que aconteceu, a vergonha passou? - Passou, meu dente ta quase inflamando. - Bandida!
Era um dia pela manhã, estava eu trabalhando tranquilamente quando recebo uma ligação da minha mãe:
- Rodrigo, ligou uma moça aqui dizendo que é do sex shop. Falou que você comprou uma máquina lá, e que quer falar algo sobre garantia. - Mãe, deve ser engano, eu não comprei nada no sex shop. Estou trabalhando. - Ela disse seu nome e tudo, falei pra ela ligar na hora do almoço. - Tudo bem, mas não posso falar agora, na hora do almoço eu vejo isso.
Achei muito estranho, eu não tinha comprado nada em sex shop nenhum. Chegou a hora do almoço fui pra casa. Minha mãe meio cismada conta novamente a história, que a moça ligou e que falou da máquina e que era do sex shop e coisa e tal. Esperei a tal ligação prometida pra hora do almoço, vai que promoção era realmente boa, mas ninguém ligou. Voltei para a empresa e quando terminou o dia fui pra casa, chego em casa e encontro novamente minha mãe mais cismada ainda, a tal da moça do sex shop tinha ligado novamente. Insistente, a tal moça queria falar comigo; cheguei até a ficar curioso, pois imagino que moças de sex shop não são de se jogar fora, mas vá lá que sejam pelo menos bem aparelhadas elas serão. Foi combinado que ela voltaria a ligar a noite, por volta das oito. Pra meu azar, ou sorte, quando eu tomava banho o telefone toca, dessa vez meu pai é que atende. Assim que saio do banho ele vem com o recado:
- Rodrigo, ligou ai uma moça do pet shop querendo falar com você. Era sobre a garantia de uma maquina que você comprou lá. - Pet shop?!?! Não era sex shop? - Hummm, não tenho certeza. - Mãe, vem cá. Aquela moça que ficou de ligar aqui era sex shop ou PET shop? - Hummm, não sei, acho que podia ser PET shop. - Bom, ela ficou de ligar às nove.
Coisa confusa, de nada ajudaria se a moça fosse do pet shop, já que eu também não tinha comprado máquina nenhuma em pet shop algum, e pior, moças de pet shop embora pudessem também não ser de se jogar fora, estavam acostumadas a lidar é com cachorro.
Nove horas, toca o telefone, finalmente eu atendo:
- Alô. - Gostaria de estar falando com o sr. Rodrigo. (o gerúndio é por minha conta) - Sou eu mesmo. - Boa noite Sr. Rodrigo, aqui quem está falando é Fulana da Silva (não lembro o nome) do FAST SHOP. O motivo da minha ligação é para estar oferecendo um plano de garantia estendida para a máquina de lavar roupa que o sr. adquiriu na nossa loja... Eu: Hahahahahahahahahaha.
Moral da história: cuidado ao comprar qualquer coisa na fast shop, seu casamento/relacionamento pode estar em risco. Moral da história dois: se você tem uma empresa, não contrate tele-operadoras com sotaque nordestino: um fast by nordeste pode virar muitas coisas.